Há muitas frases feitas sobre a verdade. A maioria delas um tanto ofensivas em relação àqueles que a defendem e a buscam, sendo que boa parte foi dita ou escrita alguns dos homens mais brilhantes que já viveram. Não obstante, todas são vazias e não se sustentam.
Pelo simples fato de que não se pode menosprezar a verdade ou tratá-la como se ela não existisse ou fosse inalcançável. A verdade, para mim, é sagrada, e deve ser preservada e encará-la como tal. Óbvio que, em certos momentos, ela pode ser prejudicial – responda sinceramente à sua esposa, que ganhou uns quilinhos nos últimos meses, se você acha que ela engordou. É aí que entra o bom senso.
Mas enfim. Comprei faz muito tempo o livro “Deus, um delírio“, de Richard Dawkins, e ainda não o li. Recentemente precisei dele para fazer uma consulta e encontrei um trecho excelente, sobre a verdade. E aí vai:
“Se sou acusado de assassinato, e o promotor pergunta, sério, se é verdade que eu estava em Chicado na noite do crime, não posso me safar com uma fuga filosófica: ‘Depende do que você quer dizer com verdade’. Nem com uma alegação antropológica e relativista: ‘Só no seu sentido científico e ocidental de ’em’ é que eu estava em Chicago. Os bongoleses têm um conceito completamente diferente de ’em’, segundo o qual só se está ’em’ um lugar se se é um ancião ungido com o direito de aspirar pó de escroto de bode.”
* Alguém pode se lembrar deste post e perguntar por que comprei o livro de Dawkins. Além dele, comprei “Deus não é grande“, de Christopher Hitchens. São vários os motivos: quero conhecer os argumentos contrários de ambos à existência de Deus, além de tanto um quanto o outro versarem sobre o fundamentalismo religioso, algo que abomino e que matou – e continua matando – tanta gente por aí.