Playboy? Eu não.

Pensei numa revista com esse título: “Playboy? Eu não”. Porque a Playboy é realmente para playboys. Caras que têm muito dinheiro de sobra. Que podem comprar camisas de 300 reais, ternos de 1.000 e sapatos de 500. Ou ainda carros e motos de valores astronômicos. Sem contar que a revista paga altos cachês para as modelos de capa. Agora tudo é na base dos milhões de reais.

A minha revista seria diferente.

Na seção “Moda”, fotos de tênis All Star de no máximo 70 reais e sandálias Havaianas. Sapatos sociais da C&A ou alguma outra loja de departamento. E não mais que 79,90.

Camisas? Lisas, por 14,90. Camisas sociais não ultrapassariam o módico precinho de 50 pilas. Mais que isso é um susto e sair correndo da loja.

Carros e motos? Não teríamos por quê ter uma seção dessas. O público leitor de minha revista anda de busão. Principalmente o editor dela – eu -, que tem larga experiência no assunto.

No lugar dessa seção, teríamos uma chamada “Busão” ou, quem sabe, um nome mais poético “As histórias maravilhosas do busão nosso de cada dia”. E lá muitas dicas de como se espremer na porta do ônibus sem se machucar, ou de como utilizar o colega passageiro como apoio para não cair. E a melhor dica de todas: como não se envolver com nada ao seu redor no interior do ônibus: basta sentar (se conseguir um lugar para sentar, claro), abrir um livro e ler – ou fingir que está lendo.

Nossas modelos – rá!, modelos! – seriam mulheres que abordariamos na rua – sim, eu teria uma equipe, ora bolas! -, perguntando: “quer 100zinho pra tirar umas fotos?”, se ela fosse muito bonita. Já é uma boa, não? Pras medianas, cinqüentinha já seria bom demais. E cada uma ganharia um milhão transgênico, devidamente plantado e colhido no terreno de um integrante maconheiro da equipe de redação da revista. E, pelo preço, não seria nú artístico, óbvio. Só umas fotos mais ou menos sensuais, de biquini (na beira de uma piscina de plástico no quintal aqui de casa), camisa de malha branca molhada (devidamente molhada com uma mangueira ou no chuveiro mesmo), essas coisas.

Ah, e teríamos uma bela (bela, não: belíssima, sensacional) seção de livros, cds e dvds (toda ela editada por mim, com alguns pitacos de amigos convidados), e de como encontrar coisa boa a derreáu (pra quem não sacou, 10 reais).

Nisso eu sou especialista.

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One Comment

  1. Kelza
    Posted April 29, 2007 at 00:08 | Permalink

    Hahauhauahauahauahauh
    Mto bom o post, Rafa!! Eu concordo com td!!
    “derreáu” kkkkkkkkkkkkkkkkk
    Eu juro que achei que era francês!! hauahauhauah
    Bjão!
    KEL

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