O petróleo do Lula não adianta nada

O governo deveria contratar jornalistas para fazer um mapeamento das condições de vida em todas as cidades do Brasil. O Fantástico do último domingo apresentou uma reportagem sobre a situação de algumas escolas públicas em algumas pequenas cidades. Crianças tendo aulas debaixo de uma árvore, porque a escola está em reformas há meses; crianças tendo aulas no fundo da casa de uma professora, porque não há outro lugar para ensinar; crianças tendo aulas em uma garagem, porque o teto da escola desabou e não foi consertado ainda.

O Governo Federal não sabe disso? O Ministério da Educação não sabe disso? Garanto que nosso presidente não sabe. Mas alguém precisa saber, alguém precisa tomar uma atitude.

Ainda falando sobre educação, o Fantástico fez um teste com alunos da rede de ensino pública em todas as capitais do país. Uma espécie de prévia do Enem. O resultado foi aquilo que vemos no Jô Soares de vez em quando. Quando é no Jô, rimos, achamos graça. Mas quando é o Cid Moreira narrando os erros nas provas, é angustiante.

Enquanto o Governo Brasileiro tratar a educação do jeito que está tratando – em banho-maria, formando analfabetos funcionais, praticamente obrigando professores da rede pública a passar todo mundo para a série seguinte -, nosso país continuará desse jeito aí. Sem jeito, o eterno país do futuro.

Sou sincero e digo que não sei o que deve ser feito. Mas talvez os salários dos políticos pudéssem ser reduzidos. Talvez pudésse ser montado um esquema para travar ainda mais a corrupção e o desvio do dinheiro público. Talvez as prefeituras e os governadores dos estados pudéssem pensar em uma maneira de a população participar ativamente no desenvolvimento de projetos para a melhoria da educação. Não sei se tudo isso é utópico ou se daria algum resultado, não sei. Mas algo precisa ser feito.

É uma desgraça viver num país onde o presidente da república, ao falar sobre uma enorme reserva de petróleo descoberta em seu país, pensa logo em fazer parte da OPEP. Um pensamento provinciano que não vai levar a lugar algum. O desenvolvimento de um país não está ligado apenas a suas reservas naturais, senhor presidente. O desenvolvimento de um país está ligado ao desenvolvimento de cada indivíduo pertencente à nação. Coisa que não veremos por aqui nem em 1 milhão de anos.

Um desabafo bobo, que não encontrará eco em lugar algum. Mas que fique registrado a partir de hoje: hay gobierno, soy contra. E eu, petista, votei em Cristovam Buarque na última eleição.

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3 Comments

  1. Posted November 13, 2007 at 13:51 | Permalink

    Excelente texto, gostei muito.

    Uma crônica desse tipo é um pouco incomum em seus textos e ficou deveras boa.

    Outros comentários digo despues.

  2. Daniel Brazil
    Posted November 14, 2007 at 10:40 | Permalink

    Prezado Rafael:

    Primeira vez que passeio por aqui. Toda crítica à política educacional é valiosa e necessária. Mas seria mais democrático distribuir a culpa aos “governos brasileiros” em todos os níveis, principalmente considerando que o ensino básico é responsabilidade de municípios e estados. E esta estupidez de “aprovação automática” é praticado em alguns estados, como S. Paulo, felizmente não é uma política nacional.
    De resto, concordo. A educação é o bem simbólico mais maltratado na história deste país…

  3. Rafael Rodrigues
    Posted November 14, 2007 at 18:56 | Permalink

    Daniel, sei que há escolas municipais e estaduais. Mas o Governo Federal, independente de a autonomia ser municipal ou estatal, deve fazer alguma coisa, tomar alguma atitude. Afinal, pra que diabos serve um Governo Federal, se ele não puder dar um suporte aos municípios e estados? Posso estar falando bobagem, mas acredito muito que o mais sensato seria o MinC e o GF acompanhar de mais perto a educação em todas as esferas. Sobre a “aprovação automática”, como você falou, desconfio ser sim uma política nacional.

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