Em algum lugar longe daqui…

Dei meu pitaco em uma acalorada discussão por email. Abaixo alguns trechos da minha mensagem. Separei o que dá pra entender sem precisar entrar num contexto e tal.

(…) mesmo não me considerando um crítico, eu resenho livros, e isso é fazer crítica. Ou não?

O fato é que eu, graças a Deus, escolho os livros que eu quero resenhar. Melhor: eu só resenho o que eu gosto. Eu não resenho livros que me foram empurrados – até porque, ninguém me empurra livro. E quando eu acho um livro ruim, me perdoem, vai doer em alguns, mas eu encosto o livro.

Qual o mal de encostar um livro? Colocar ele de lado e nunca mais ler? Não vejo mal algum. “Ah, mas você tem que dizer que o livro é ruim, proteger o leitor!” Não sou Capitão Planeta, meu nome é Rafael e eu gosto de recomendar leituras. Mas é inegável que o crítico deve, sim, meter o pau quando achar que deve. Até o momento, não tive essa necessidade. Mas tem um autor que está na minha estante, aguardando só o tempo certo de eu ler os livros dele e falar mal. Porque esse realmente eu acho que é obrigação minha avisar a todo mundo que não presta.

(…)

O papel do crítico, como diria alguém, é a folha do caderno, ou a tela docomputador. Ele que seja justo e faça o que for justo. Elogiar quem merece, falar a verdade de quem não tem talento. E ponto.

P.S.: Como uma amiga já entendeu o que eu disse de uma outra maneira, vou escrever o seguinte: o que eu quis dizer com “quando achar que deve” é justamente esse último período escrito acima: “Elogiar quem merece, falar a verdade de quem não tem talento.”, e não escrever uma crítica baseada apenas no próprio gosto. Todo crítico tem o direito de gostar ou não de determinado livro, mas ele não tem o direito de falar mal de uma boa obra apenas pelo fato de não ter gostado dela. Se o crítico não souber distinguir o que é bom e o que é ruim e separar isso da questão “gosto”, ele está perdido. Nem deveria fazer crítica, aliás.

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One Comment

  1. Posted May 18, 2007 at 17:09 | Permalink

    Rafael, não sei se você faz posts atendendo a pedidos, mas eu gostaria de ler mais sobre o PS do seu texto. Ao contrário de você, acho que não existe “bom” e “ruim” que vá além do gosto do crítico, ou de qualquer outra pessoa: gostamos do que é (para nós) bom e não gostamos do que é (para nós) ruim. No máximo, podemos fazer a diferença entre tipos de bondade ou ruindade: literário, popular, ambicioso, modesto, difícil, fácil. Mas a apreciação da qualidade em si é subjetiva.

    Já escrevi sobre o assunto no meu blog (http://bonjourlafrance.blogspot.com/2007/03/qualidade-essa-coisa-subjetiva.html) e gostaria de ver alguém defendendo a posição contrária com mais vagar. Se você estiver disposto, manda brasa.

    Abraços,

    Lucas

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