Da ignorância e dos pseudo-leitores

Quando uma pessoa que não teve acesso ao conhecimento, ao estudo, é um pouco rude com você, dá pra entender, compreender. Isso quando acontece, claro. Porque, geralmente, justamente essas pessoas que menos estudo tiveram são as mais gentis e educadas.

Mas quando uma pessoa que teve acesso ao conhecimento, ao estudo, é rude e grossa com você, dá vontade de mandá-la para lugares não muito agradáveis. E tem gente que faz questão de ser desagradável. Eu simplesmente não consigo entender o motivo de algumas pessoas agirem assim. É de uma ignorância que não tem tamanho.

Penso seriamente em ganhar algum dinheiro com isso. Prestar consultoria a pessoas ignorantes e mal-educadas, pra ver se elas melhoram um pouco, sei lá.

***

Volta e meia aparecem na livraria alguns pseudo-leitores ou pseudo-intelectuais, como queiram. Eles param no meio da loja para comparar traduções de Dostoievski, encomendam livros de Camus sem quê nem pra quê, falam alto que riram lendo om “Os miseráveis”, essas coisas. Mas, na verdade, são pessoas vazias, com coisa alguma na cabeça, desagradáveis, ignorantes e mal-educadas. Não conseguem entender Dostoievski, não conseguem se emocionar com Camus e tampouco dão a “Os miseráveis” o peso que ele realmente tem.

Sei que há muitas coisas mais para nos tirar o sono e para lamentar, mas isso é muito triste.

This entry was posted in Histórias de livraria. Bookmark the permalink. Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

3 Comments

  1. Posted June 5, 2008 at 18:14 | Permalink

    quanto a comparar as traduções, eu não entendi seu incômodo. dostoiévki, por exemplo, eu preferia a tradução da editora 34, por ser uma tradução do original e não de uma outra língua.
    eu não queria ler a tradução da tradução do livro.
    e do mais as pessoas gostam de exibir suas leituras literárias, porque na nossa sociedade ler esses autores passa a impressão de que a pessoa é uma intelectual, sensível, blábláblá.

  2. Posted June 13, 2008 at 09:49 | Permalink

    Talvez eles entendam Dostoièvski e se emocionem com Camus, só falham mesmo é de se exibirem. Mas penso que talvez seja a única arma deles. Se eles fossem povão, talvez ouvissem funk estourando o som do carro ou contassem para todos todas aventuras sexuais (exagerando-as ainda).
    E falo eles (como tu também), porque eles, os pseudo-intelectuais, realmente existem, torcem o nariz para tudo que não seja “intelectualmente” aprovado, são a erva daninha de um meio tão belo que é todo tipo de arte.

  3. Posted June 14, 2008 at 16:43 | Permalink

    São os intelectualóides (palavra que acaba de me vir à cabeça; nem sei se existe).

    Dizem freqüentar sebos, adorar música clássica, ler somente os grandes nomes da literatura, et cetera, et cetera, et cetera…

    Fujo dessas pessoas. Mas elas insistem em me perseguir.

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*
*