Como os políticos destroem o planeta

“Como os políticos destroem o planeta”. Deveria ser esse o título do livro “Como os ricos destroem o planeta” (Globo, 2010, R$ 29,90), do jornalista francês Hervé Kempf. Haja vista o que está acontecendo no estado do Rio de Janeiro em virtude das fortes chuvas nos últimos dias.

Neste mundo há pessoas dispostas a tudo, inclusive a morar em áreas de risco. Mas tenho absoluta certeza de que a maioria das pessoas que mora nessas áreas faz isso por não tem outra saída. Os governos, ao não impedirem isso, ao não fiscalizaram isso, ao fazerem “vista grossa” para isso, são culpados, sim, pelas mortes advindas de desabamentos/deslizamentos.

Culpados são, também, os políticos corruptos. Imaginem quantas casas, quantas ações preventivas poderiam ser feitas com o dinheiro que é desviado para contas em paraísos fiscais. Imaginem quantas pessoas seriam beneficiadas se os políticos se preocupassem verdadeiramente em fazer boas administrações e melhorar a vida das pessoas.

Chuvas muito fortes podem causar – e geralmente causam – mortes e prejuízos, é verdade. Mas os números poderiam ser outros caso medidas preventivas fossem tomadas, caso a maioria dos políticos não fosse negligente. A contagem de mortos na região serrana do Rio de Janeiro não para, e não ficarei surpreso se, ao fim de tudo, o número passar de 700. Até o momento, segundo informações do G1, são 630.

As já de certa forma frequentes tragédias climáticas que assolam não apenas o Brasil, mas todo o mundo, devem começar a ser levadas a sério não só pelas autoridades, mas também por todo ser humano. Não no sentido apenas de cobrar dos políticos, votar melhor ou fazer manifestações, mas também de ser ecologicamente correto: jogar lixo na rua, por exemplo, é um péssimo hábito. E estão incluídos em “lixo” o chiclete que você masca e cospe no passeio, a bituca de cigarro que você joga no chão e apaga com o pé, entre outras coisas. Quando chove, muito desse lixo impede que a água escoe de maneira correta, e isso pode resultar em alagamentos.

Quem defende o meio-ambiente é visto como “chato”, “certinho” etc. Mas a nossa situação não é nada animadora. Muito se fala em “proteger o planeta”, mas o nosso planeta já passou por poucas e boas – lembram do meteoro que acabou com os dinossauros? Pois é, foi só uma cosquinha na Terra. A VIDA acabou, mas o planeta, não. NÓS é que vamos sucumbir ao nosso modo de vida frenético e despreocupado com o meio-ambiente. A Terra, não.

Vários e vários livros já foram lançados sobre o tema. Al Gore, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, vem falando sobre isso há tempos. Até o Leonardo DiCaprio participou de um documentário sobre o assunto. Já falei disso por aqui.

O livro de Hervé Kempf, que estou lendo e posso dizer que é muito interessante, é mais um grito, entre tantos outros berros, a favor do planeta. Apesar de concordar com ele em muita coisa – ao menos até onde li -, discordo do título do livro, que me parece ter sido escolhido apenas para polemizar. Da mesma forma que ele afirma que os ricos destroem o planeta, poderia afirmar que a culpa é dos pobres – a alta taxa de natalidade nas classes mais baixas da sociedade é preocupante. Quanto mais gente no planeta, pior. Como diz o título de um outro livro, este do premiado e respeitadíssimo jornalista norte-americano Thomas L. Friedman, nosso planeta é “Quente, plano e lotado”.

É por isso que certas atitudes que podem parecer drásticas ou até mesmo desumanas precisam ser tomadas. Vamos a uma que pode desagradar a alguém mais sensível: esterilizar homens e mulheres que moram em comunidades carentes. Seria uma saída temporária, porque o correto mesmo é educar sexualmente as pessoas, fazê-las utilizar preservativos. Além de distribuir melhor a renda e melhorar a vida de todos. Essa última frase pode soar utópica, ingênua ou algo do tipo, mas é o correto a fazer. O abismo que separa os mais ricos dos miseráveis não pode continuar sendo expandido.

Outra atitude – menos drástica – que poderia ser tomada é obrigar escolas e universidades públicas e particulares a promoverem a coleta seletiva e a reciclagem do lixo. Fazendo-se, claro, uma campanha maciça visando a divulgação do projeto e a conscientização da sociedade.

Para terminar o post, um trecho do livro de Kempf que ilustra bem o pensamento do autor:

“(…) o modo de vida das classes ricas as impede de sentir o que ocorre ao seu redor. Nos países desenvolvidos, a maior parte da população vive na cidade, afastada do meio ambiente onde começam a se manifestar as fissuras da biosfera. Além disso, encontra-se amplamente protegida dessas fissuras pelas estruturas de gestão coletiva criadas no passado e que conseguem amortizar os choques (inundações, secas, sismos…), quando estes não são violentos demais. O homem ocidental médio passa a maior parte de sua existência em locais fechados, indo do carro ao escritório com ar-condicionado, abastecendo-se em supermercados sem janelas, deixando os filhos na escola de automóvel, distraindo-se em casa diante da televisão ou do computador etc. As classes dirigentes, que formam a opinião pública, encontram-se mais afastadas ainda do ambiente social e ecológico: só se deslocam de carro, moram em lugares climatizados, movimentam-se em circuitos de transporte – aeroportos, bairros comerciais, zonas residenciais – que os mantêm ao abrigo do contato com a sociedade. Evidentemente, tendem a minimizar os problemas dos quais têm uma imagem abstrata.”

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4 Comments

  1. Posted January 17, 2011 at 12:14 | Permalink

    Rafael, muito bom o conselho do livro, a análise e todas as coisas escritas. Muita coisa aqui é o que penso também, e é muito bem ver alguém falando sobre.
    Também acho que poderia ser “políticos” do que “ricos”, mas ao mesmo tempo penso que eles estão no mesmo patamar, ou seja, quem é rico tem poder e quem tem poder é rico. Ultimamente, tanto políticos como ricos não percebem os danos por estarem confortáveis. Ainda assim, não pode generalizar, não é? Existem ricos que pensam num futuro sustentável e colaboram com iniciativas pró meio-ambiente.

    Porém, ouso discordar com a hipótese de que “esterilizar homens e mulheres que moram em comunidades carentes” seria uma saída temporária. Se isso for aplicada, só vai ser só uma valvula de escape fácil e confortável para os políticos (ou os ricos), ignorando o fato que essas pessoas só “produzem” muitos filhos porque simplesmente não tem perspectivas de vida, a elas não são dadas oportunidades de vislumbrar uma vida maior do que ter uma casinha com 10 filhos. Sabe a expressão “faz filho porque não tem televisão em casa”? É quase isso. As pessoas fazem isso por serem alienadas e manipuladas por um governo que as ignora.
    Os casais não tem preocupações por não sem quer terem noção do que acontece. A solução seria dar uma vida decente com oportunidades melhores para tais pessoas…mas pra que fazer isso? Só tiraria as pessoas do cabresto do poder, seja lá dos políticos ou dos ricos, e isso não interessa aos poderosos.

    No enfim, gostei muito!

    Abraços.

    • Rafael Rodrigues
      Posted January 17, 2011 at 13:27 | Permalink

      Bárbara, realmente não se pode generalizar. Ainda pensei em incluir essa observação no post, mas acho que isso já fica meio implícito. Acho que vou escrever sobre o livro depois de terminar a leitura, e aí, se realmente fizer uma resenha, faço essa ressalva. Sobre a esterilização, é como eu disse: é uma medida drástica, não é o correto a fazer. O certo é, como você disse e eu também, no post, dar uma vida melhor para todos. Infelizmente não há, pelos motivos elencados por você, vontade política para isso. Espero que isso mude. Abraços e obrigado pela leitura e pelo comentário!

  2. Posted January 20, 2011 at 21:40 | Permalink

    Gostei muito do post! Me lembrou um livro, embora com certo distanciamento, chamado “O mundo segundo a Monsanto – Uma transnacional que quer o seu bem”, que fala de todas as manobras das empresas privadas – que manobravam até mesmo instituições políticas – e de todos os danos públicos causados por essas em todo o mundo. É muito bom. Fica como dica para uma próxima leitura…

    Tainá.

  3. Posted January 26, 2011 at 09:54 | Permalink

    Gostei do texto, estou justamente fotografando isso, mas de uma maneira diferente, aproveitando a estética formada pelo ascender do aglomerado de casas de uma comunidade à noite.

    Em primeiro plano são vistas belas imagens, mas seu conteúdo vai muito mais além. As casas das favelas tomam formatos de animais, como peixe, elefante, cachorro e cobra, mostrando todo o descaso das autoridades com os moradores do local, que vivem sem segurança, saneamento e em constante risco de vida, por causa de deslizamentos, como se realmente fossem bichos.

    O link do trabalho: http://fineartphoto.carbonmade.com/projects/3002251#1

    abs

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