Até quando, meu Deus?

Seus artigos. Eternamente se preparando para tornar-se escritor, eternamente começando, em pouco seria tarde, não mais teria direito de escrever asneiras, teria de começar com uma obra-prima. Não depois que lera “Guerra e Paz”. Jamais nenhum romancista seria capaz de escrever algo de mais completo, e no entanto ninguém deveria ambicionar menos. A literatura se dividia em duas partes: antes e depois de “Guerra e Paz”. Isso era fácil de dizer, tudo na vida se dividia em antes e depois; antes e depois de casar, antes e depois de amar, antes e depois de escrever. A própria literatura: antes e depois de Proust, de Kafka, de Joyce… Para um escritor o importante não era antes nem depois, mas durante. Colocar-se naquela postura de que vai escrever – eis tudo, o resto era fácil. Quando iria ele, afinal, levar sua vocação a sério, começar?”

Já postei aqui esse trecho de “O encontro marcado”. Mas é sempre bom reler. Mesmo que ele acabe comigo.

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One Comment

  1. Posted June 27, 2007 at 16:01 | Permalink

    Ando com a mesma angústia, meu caro. Mas como diz meu amado, essa angústia já é de escritor. Então pelo menos uma coisa a gente já tem, hehhe. Tô lendo um livro que mostra o quão é conturbado esse processo. É “O Livro por vir” do Blanchot, o cara é tipo um filósofo da literatura. Encaixa aí entre suas milhares de leituras. Garanto que vale a pena.

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