Aos que renegam o passado

Querer ignorar, substituir ou menosprezar o passado é burrice. Principalmente se formos falar em literatura.

Não posso falar pelo resto do mundo, mas ao menos aqui no Brasil, a quantidade de escritores, críticos e leitores que simplesmente esquecem livros e autores de mais de três décadas atrás é assustadora. Professores tentam, em vão, obrigar seus alunos a lerem José de Alencar, Machado de Assis, Raul Pompéia, Jorge Amado etc. Talvez Drummond e Clarice se salvem, mas qualquer coisa antes deles gera uma espécie de trauma nos estudantes, que passam a ter asco de qualquer autor que não seja blogueiro e não fale de sexo, drogas e rock’n’roll.

Mas se fossem apenas os jovens, tudo bem. O pior é que os próprios escritores renegam os clássicos. Você não vê um autor contemporâneo dizendo que tem influência de Machado. Nenhum deles leu Alencar e malmente sabem quem é Raul Pompéia.

Se formos falar em poesia, pior ainda. São batidas as referências. Porque existem os clássicos pop, como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Pablo Neruda, Drummond e por aí vai. Difícil ver alguém dizer que leu Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac.

Entendam: não estou pregando aqui que devemos todos correr para as bibliotecas, procurar pelos livros de páginas mais amarelas e empoeiradas e começar a lê-los. Nem que deixemos de ler os autores modernos, contemporâneos. Quem acompanha este blog e meus textos sabe que leio bastante coisa nova. Mas nem por isso esqueço quem já passou e fez história.

É triste ver a obra de determinados autores ficar restrita a leituras obrigatórias no colégio e a questões de vestibular. Principalmente autores como alguns dos que citei aqui. Mais triste ainda é ver autores contemporâneos que escrevem nada com coisa nenhuma serem incensados a promessas, revelações e indispensáveis.

This entry was posted in Literatura. Bookmark the permalink. Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

3 Comments

  1. Posted September 1, 2008 at 11:48 | Permalink

    Pode ser burrice, mas é um barato. Você já viu o site da Legião Estrangeira? Vê lá 😀

    http://www.legion-recrute.com/pt/

  2. Amábile
    Posted September 1, 2008 at 23:05 | Permalink

    E aí Rafael, tudo bem? É fato que pouquíssimos brasileiros se dão ao luxo de ler uns parcos livros, o que dirá um clássico que exige um vocabulário que vai um pouco mais além das palavras Orkut, Youtube ou Facebox?

    P.s.: acabei excluindo meu blog,talvez volte a fazer um site, mas não por agora. Depois te passo o link para você substituir pelo antigo que está aqui. Obrigada.

  3. Gabriela Vargas
    Posted September 3, 2008 at 15:22 | Permalink

    Isso é a mais pura verdade, salvo algumas excessões (as quais eu nao conheço). Eu, por exemplo, só fui descobrir Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Eça de Queiros, com 15 anos. Tudo porque era leitura obrigatoria do vestibular e eramos obrigados a ler para as aulas de literatura. Nao vou te dizer que amo Augusto dos Anjos, mas eu realmente passei a adorar Eça de Queiroz e achei lindo os poemas difíceis e parnasianos do Bilac. Machado eu ja conhecia e ja havia lido bastante coisa dele, entao.. Mas sobre os outros todos eu concordo plenamente.

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*
*