A rede social

Antes talvez apenas os nerds sonhassem com isto, mas, hoje, deve ser o desejo de qualquer pessoa que utiliza a internet razoavelmente bem: criar um site ou programa que faça estrondoso sucesso e que traga milhões de dinheiros para a sua conta bancária.

Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, tirou a sorte grande: estava no lugar certo – Harvard -, na hora certa – pós-bolha de 2000 – e tinha o conhecimento necessário – na verdade, mais que o necessário, Zuckerberg é um gênio – para levar adiante a ideia da rede social cujo site é o terceiro mais visitado em todo o mundo.

A história seria muito bonita e perfeitinha não fosse por um detalhe: a ideia do Facebook não é de Zuckerberg, mas de colegas da universidade: os irmãos Cameron e Tyler Winklevoss, e Divya Narendra, fundadores do site de relacionamentos Harvard Connection, que depois se tornou o ConnectU.

Depois de Zuckerberg fazer com que a rede de internet de Harvard caísse devido ao alto número de acessos de um site criado por ele em uma madrugada – motivado pelo fim de um namoro -, Cameron, Tyler e Divya convidaram o jovem para ajudá-los no desenvolvimento do Harvard Connection. Porém, Zuckerberg resolveu colocar em prática uma ideia semelhante, mas com o apoio de dois colegas de quarto – também programadores – e de seu amigo Eduardo Saverin, nascido no Brasil, que entra com o capital necessário para bancar a empreitada e que tem o status de co-fundador do site, apesar de não mais ser amigo de Mark.

Enquanto trabalhava no então “thefacebook”, Zuckerberg evitava contatos com os irmãos Winklevoss. Respondia a poucos e-mails e não atendia – nem retornava – ligações. Somente quando o “thefacebook” entra no ar e se torna instantaneamente uma sensação, os irmãos Winklevoss e Divya entendem o motivo pelo qual Mark os vinha ignorando. Ele havia roubado a ideia deles.

“A rede social” conta essa história e outras mais, como a entrada de Sean Parker, fundador do Napster, para o Facebook, e dos processos diferentes movidos contra Zuckerberg: um pelos Winklevoss e Divya (pelo roubo da ideia), e outro por Eduardo Saverin (pela diminuição na participação acionária e remoção de seu nome como “co-fundador” do site). Ao se concentrar mais na história do Facebook do que no passado dos personagens envolvidos, David Fincher (diretor) e Aaron Sorkin (roteirista), fizeram um filme tenso e dinâmico, que entretém e ao mesmo tempo nos leva a pensar na ambição, vaidade e inveja que se apodera dos Homens – e até de nós mesmos, às vezes. Zuckerberg, no filme – e também no livro que deu origem a ele, “Bilionários por acidente”, de Ben Mezrich -, é retratado como o amigo traidor, além de uma pessoa praticamente sem emoções ou valores éticos.

Além da excelente história, “A rede social” conta com as impressionantes interpretações de Jesse Eisenberg (Zuckerberg) e Andrew Garfield (Saverin). A trilha sonora, que ficou a cargo de Trent Reznor (do Nine Inch Nails) e Atticus Ross, é também brilhante, e digna de prêmios, porque entra no clima do filme e, mais que isso, às vezes rege algumas cenas. O ambiente de Harvard é outro ponto alto, e até faz lembrar de um filme já clássico, apesar de contemporâneo: “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Eleito por muitos críticos como “o filme do ano”, talvez “A rede social” não mereça tanto – “A origem”, de Christopher Nolan, é superior em diversos aspectos -, mas realmente é um grande filme, e não apenas uma história sobre nerds e milionários ressentidos.

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2 Comments

  1. Posted December 29, 2010 at 12:35 | Permalink

    Concordo quando você diz que “A Origem” é melhor filme, superando “Rede social” em vários aspectos. Todavia, o mérito do último é ter transformado uma história relativamente simples e sem muitas surpresas em uma narrativa interessante e, como você mesmo colocou, tensa e inteligente do início ao fim. Uma coisa que merece ser reiterada e celebrada é o desempenho de Jesse Eisenberg, que transformou seu personagem em uma figura tridimensional e fascinante.

    • Rafael Rodrigues
      Posted December 29, 2010 at 13:28 | Permalink

      É isso mesmo, Carlos. Essa é uma história “relativamente simples”, mas quando observamos os sentimentos e emoções que foram provocados por ela, temos um belo painel da natureza humana. Fincher e Sorkin souberam aproveitar muito bem isso, e esta é a razão de “A rede social” ser um grande filme. As atuações são mesmo impressionantes, como destaquei. Acho que, se o filme não fosse sobre o Facebook, renderia Oscar para Eisenberg e Garfield. Indicados eles serão, certamente, mas creio que não levem. Talvez Garfield, que se revelou mais humano e, na minha opinião, esteve melhor que Eisenberg.

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