A pequena pausa

“Não era só aqueles dias e noites na cama. O sexo estava em tudo no início, nas palavras, expressões, gestos semi-esboçados, a mais simples insinuação de um espaço alterado. Ela largava um livro ou revista e uma pequena pausa se instaurava em torno deles. Isso era sexo. Eles caminhavam juntos pela rua e viam a própria imagem numa vitrine empoeirada. Um lanço de escada era sexo, ela subindo bem junto à parede e ele vindo logo atrás, tocando-a ou não, roçando de leve ou apertando com força, ela sentindo que ele a imprensava, sua mão abraçando a coxa dela, detendo-a, o jeito discreto dele subir e se aproximar, o jeito dela de agarrar-lhe pelo pulso.”

Trecho de “Homem em queda“, de Don Delillo, que eu estava lendo.

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2 Comments

  1. Filipe Russo
    Posted March 23, 2009 at 06:21 | Permalink

    Vou contar uma pequena historia e vou tentar ser breve.
    Era uma vez eu a 4 anos atras e havia esse tal de 3 vozes, eu conversava com algm desse 3 vozes e entao foi postado um texto meu no tal blog. Fato eh que a minutos atras eu nem lembra desse site. Redescobertas estranhas. Pois bem, acho que o 3 vozes pode ter sido o primeiro site/pessoa a gostar de algo queu escrevi e isso para mim tem todo um valor pessoal especial. E como vc foi membro do blog, achei que seria interessante entrar em contato ja que hj em dia eu AINDA escrevo, hahaha. Vcs haviam postado uma poesia minha. Desde aquele tempo eu nao escrevo poesia. Tem um texto que bem eu to com preguica de pegar outro, logo vai ser esse mesmo queu vou mostrar pra vc.

    As cartas que nao te escrevi

    Lembro de todas as cartas que nao te escrevi. Toda uma sensacao oca, abobalhada e eternamente tosca. Quase desapaixonado te li mais uma vez meio que para te fotografar em minhalma e teu verdadeiro nome virou runa nas estalactites de minhas camisas de forca. Agora eu preciso de toda a forca para sentir queu sinto muito mas eu vou partir e que a saudade que tu deixas sao pinceladas de menarca, sao ecos teus reverberando em meus ossos. Eu te amei por angulos indiretos, angulos mortos. Eu precisei tanto de ti e tu sempre ficastes ali, numa delicadeza de borboleta violeta. Eu nao preciso ir, mas eu vou. Eu sinto que se eu ficar a tua tinta tornar-se-a umida e nas mesmas profundezas que tu planificastes no papel eu me afogaria no que eu nao sei de ti, isso seria me engolir em todas as cartas que nao te escrevi. – Filipe Russo a Clarice Lispector.

  2. Cássia
    Posted March 23, 2009 at 20:55 | Permalink

    “Afinal o amor é tão carnal.”

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