A literatura como doença

Parece que tenho algum tipo de esquizofrenia literária. E não apenas eu. Conheço outro tanto de gente com o mesmo “mal”.

A pessoa tenta abraçar o mundo das letras. Ela lê, escreve e consome literatura de maneira desenfreada e desregrada. Tão desenfreada e tão desregrada, que mal consegue terminar de ler ou escrever algo que começou. Leituras e textos se atropelam, os livros são comprados de par em par, às vezes a granel, e logo a pessoa se vê cercada de livros, já sem ter lugar onde guardá-los.

É óbvio que tais “sintomas”, apesar de percebidos pelo enfermo, são ignorados. A esquizofrenia literária é uma doença que só avança, nunca se retrai. Ela pode, no máximo, ser controlada, pois não há cura. Esta, só além-túmulo. Ou vermelho na conta bancária.

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4 Comments

  1. Posted July 29, 2008 at 16:22 | Permalink

    A pessoa que divide a cama com cinco livros e, enquanto lê um dos, fica olhando, cheirando e folheando os demais que serão futuramente lidos, certamente atingiu o mais alto grau da esquizofrenia literária. Benza a Deus que a falta de tempo é grande e o vermelho da conta bancária é bem encarnado. 🙂 Se não…

  2. Posted July 30, 2008 at 20:09 | Permalink

    oh Rafael, você já leu Ex-Libris – Confissões de uma leitora comum de Anne Fadiman? Com certeza você vai se identificar com alguns ensaios da jornalista americana. E para você que está prentendo se casar vai adorar o ensaio “Casando bibliotecas”. O mais interessante do livro é que autora consegue ser bem-humorada com assuntos que muitos autores tratam com uma seriedade entediante.

  3. Rafael Rodrigues
    Posted July 30, 2008 at 22:40 | Permalink

    Amábile, você falou tão bem do livro que já adicionei ele na minha lista. Não na lista que tá aqui do blog; adicionei na outra lista aqui: a de livros que pego assim que posso hehehe

  4. Posted August 1, 2008 at 03:14 | Permalink

    Eu ainda estou na fase do controle. Olho minha lista de desejos (que fica cada dia mais extensa) e penso “calma, não é assim, o mundo não vai acabar amanhã.” Mas vamos ver por quanto tempo eu agüento essa quase insanidade.

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